10 de dezembro de 2010

Utopia


imagem:Luiz costa/ Hoje em Dia

imagem:Luiz costa/ Hoje em Dia ( Onde está Keila?)

imagem:Luiz costa/ Hoje em Dia
Sempre achei que um dia iria mudar o mundo. Fazer algo que significasse alguma coisa para alguém, a fim de transformar sua vida positivamente. Utopia? Talvez ou com certeza.


Ontem participei da manifestação contra o assassinato do Professor Kássio, que foi morto a facadas por um aluno insatisfeito com sua nota em um trabalho acadêmico.

Me senti parte daquela história, primeiro por ser aluna da Metodista, mesma rede do Isabela Hendrix, depois por ter escolhido por anseios e dom, ser professora. Ser professora é o plano B da minha vida. Sempre dizia que se nada desse certo iria ser professora, não pelo fato de nada mais me restar, tanto porque o salário em Minas é de fome. Mas optei pelo desejo que me consumia de conhecimento e de tocar a vida das pessoas de alguma forma positiva.

Sempre tive meus professores como mestres e como extensão da educação transmitida pelos meus pais. Foi na escola e na faculdade que formei minhas opiniões e fiz minhas melhores escolhas. A educação me transforma em algo melhor e utopicamente tenho esse desejo para a vida dos meus alunos e familiares.

Comecei atuar como professora de história agora, há menos de dois meses, em uma comunidade carente, com alunos que em sua grande maioria freqüentam a escola para que seus pais não percam o Bolsa Família.

A realidade fora dos livros é bem diferente. Convivemos com crianças que a única educação que recebem é a dos professores, pois seus pais deixaram a educação de seus filhos totalmente a cargo da escola ou simplesmente não se importam.

Me assustei com o olhar ruim de um aluno de 13 anos e os outros professores “velhos” de casa me disseram que para esse aluno eles já previam o futuro: se chegasse vivo aos 18 ele estava no lucro ou que só o Bop para dar jeito nele.

Essa fala me alimenta a alma. Preciso e quero ver a diferença na vida desses alunos. Plantar a semente da vontade de ser melhores, de viverem em paz e quem sabe transformar o mundo.

Sei que daqui algum tempo estarei tão cansada como a maioria dos professores: desiludidos com o sistema, fragilizados e depressivos. Já recebi conselhos para não entrar nessa vida....

Ao ver o professor de uma universidade tradicional e conceituada ser morto de forma cruel com seu instrumento de trabalho nas mãos: prova e pincel, me questionei se todos estariam certos e eu remando contra a maré.
Mas meu coração sonhador reluta em desistir. Preciso fazer a diferença, para um aluno, que seja.

imagem: do MEU celular: luto e pedido de paz

Abaixo detalhes da manifestação.



Estudantes e professores fazem manifestação no centro da capital contra morte de professor do Izabela Hendrix


09/12/2010


DANIEL SILVEIRA / RAPHAEL RAMOS - OTEMPO online

Mesmo debaixo de chuva, professores e estudantes se reuniram na tarde desta quinta-feira (9) na Praça 7, no centro de Belo Horizonte, para manifestar contra o assassinato do professor Kássio Vinicius de Castro Gomes, morto a facadas no prédio do Izabela Hendrix. Com faixas, cartazes e panfletos, eles cobram justiça providências contra a falta de segurança nas instituições de ensino.

Os manifestantes se concentraram no quarteirão fechado da Praça 7. De acordo com o Batalhão de Policiamento de Trânsito da Capital (CPTrans), cerca de 200 pessoas participaram do protesto, que ocorreu de forma pacífica. Em nenhum momento o trânsito no cruzamento das avenidas Amazonas e Afonso Pena foi interrompido pela manifestação, segundo o CPTrans. Faixas e cartazes homenageavam Kássio e cobravam Justiça. Os manifestantes distribuíram aos transeuntes fitinhas, como aquelas do Senhor do Bonfim, com mensagens de paz. O Sindicato dos Professores de Minas Gerais também distribuiu panfletos denunciando os casos de violência praticados por alunos contra professores em escolas e faculdades. Da Praça 7 os manifestantes seguiram a pé em direção ao prédio do Izabela Hendrix, na rua da Bahia, no Lourdes, onde o professor foi assassinado. Durante o trajeto, feito em parte pela avenida João Pinheiro, pelo menos uma faixa de cada uma das vias ficou interditada, tumultuando o trânsito na região.

A manifestação também foi uma forma de demonstrar luto pela morte do professor, que tinha 39 anos, era formado em educação física e mestre em lazer pela Universidade Federal de Minas Gerais. Ele foi atacado por um aluno de 23 anos no corredor da faculdade. Preso em casa horas depois, Amilton Loyola Caires Gomes confessou o crime e disse que era perseguido pelo docente. Segundo testemunhas, o motivo do crime seria o descontentamento do aluno pela nota baixa dada por Kássio a um trabalho acadêmico. Ao chegarem na porta da faculdade, os manifestantes esticaram uma lona preta em sinal de luto e cantaram em coro a música "Imagine", de John Lennon. O corpo do professor foi enterrado por volta das 14h40 no Cemitério Parque da Cachoeira em Betim, na Grande Belo Horizonte. O velório foi realizado desde o começo da noite dessa quarta-feira no Ginásio Esportivo Divino Braga, no mesmo município, e foi acompanhado por centenas de pessoas.

2 comentários:

César disse...

Oi
Palmas pra ti, Key.

abraço.

Nira disse...

É lamentável que oscorram fatos como este. Parabéns pela tua coragem e atitude.