13 de setembro de 2011

Será isso mesmo?

Ontem encontrei com alunos assustados e agitados. Me deram a notícia que a colega de sala havia levado um tiro no final de semana e estava muito mal no hospital.

Fiquei muda. Não sabia o que dizer.

Vários boatos.
Ela estava brincando de roleta russa com o namorado.
O namorado estava alimpando a arma e desparou sem querer.
Ela traiu o namorado, que é traficante, ele ficou sabendo e lhe deu um tiro.

O que mais me assustou é a banalização da violência:

- Demorou...
- Ela procurou...
- Já sabia que isso iria acontecer...

Enfim, fiquei com isso na cabeça e com os sentimentos um tanto confusos. Sei que estou começando agora na educação e como trabalho em uma comunidade carente e marginalizada, com pontos de tráfico e alto índice de violência é esperado que meus alunos façam parte dessas estatísticas. Mas a pessoa que há em mim não se conforma com o fato de acontecer com uma menina de 13,14 ou 15 anos.

Alguns disseram que o fato dela ter perdido a mãe nova e o pai ser alcoolatra não justifica ela seguir um mal caminho. Concordo. Mas será que esses fatos, além da falta de estrutura familiar não contribuem para esse "malcaratismo"?

Desabafei com o meu esposo: estamos vivendo em uma situação que terei que dar graças aos céus se 10% dos meus alundo atingirem os 25 anos ou ainda se tornarem "alguém" na vida, com bom emprego e boa educação.

Ele me disse uma coisa que pode ser fato: Nos dias de hoje ser morto antes dos 18 e ter um emprego medíocre é banal. Foge á regra torna-se um bom profissional e ter qualidade e expectativa de vida.

Assustada e indignada e mais uma vez querendo transformar o mundo...


2 comentários:

'Lara Mello disse...

Ai, imagino com tu ficou mesmo, triste isso..

Dama de Cinzas disse...

Realmente esse cenário é desanimador. E para piorar, cada vez mais se colocam crianças no mundo sem querer, sem planejamento, sem nada.

Hoje no jornal deu que encontraram uma criança de 1 ano e meio vagando. A mãe tinha largado na rua, porque não o queria mais. É algo assustador.

Beijocas